Olá! O que te traz à terapia?
- Margarita Ramos
- 18 de abr. de 2024
- 2 min de leitura
Atualizado: 14 de out. de 2024

As pessoas chegam para a terapia, na maioria das vezes, muito apreensivas e ansiosas pensando por onde vão começar a falar. Muitas vezes porque estão com medo de como serão interpretadas, ou porque já tiveram uma má impressão de um/a outro/a psicólogo/a, ou até mesmo porque não queriam ter que retornar à vivências dolorosas.
Assim, dentro de um espaço de confiança, com a minha experiência de mais de 20 anos como psicóloga clínica, inicio a sessão com essa pergunta: o que te traz à terapia? Nesse momento a/o paciente se sente à vontade para começar a falar sobre sua história e em qual momento as coisas passaram a ficar muito difíceis de serem compreendidas a ponto de uma angústia muito grande invadir seu peito. Em determinados momentos da vida iniciar um tratamento psicoterapêutico requer muita coragem, uma vez que será um momento de nos voltarmos para nós mesmos. Como eu gosto sempre de dizer ás/aos minhas/meus pacientes, a terapia é como pegar o “quebra-cabeça” da nossa vida e voltar a montá-lo, tendo que rever peças que preferíamos estarem esquecidas. Coisas mal montadas que precisarão ser desmontadas para serem remontadas de fato, e de todo esse processo caminharmos para a ressignificação e reelaboração da forma de lidar com a gente mesmo e com o outro.
Ao se sentir seguro e livre de um olhar de julgamento a/o paciente começa a dizer o que lhe trouxe à terapia, às vezes pode ser algo que aconteceu recentemente e fez sua vida virar de cabeça para baixo e desde esse momento não tem conseguido, por exemplo, dormir mais, trabalhar, cuidar dos filhos, sair de casa, estudar... Bem como pode ser algo que aconteceu lá atrás, há muito tempo, mas apenas hoje você se deu conta que isso tem, por exemplo, paralisado sua vida, dificultado aceitar um novo relacionamento ou um novo trabalho... E, a partir de agora, não dá mais para fugir. É necessário buscar a terapia para se autoconhecer e elaborar traumas, dores, angústias, medos e ansiedades.
Dar espaço à fala, e claro à escuta terapêutica, é dar lugar para a possibilidade de cura. É compreender que nossos sofrimentos, angústias e ansiedades precisam ser analisados e ressignificados para que não nos atormentem a ponto de se tornarem incontroláveis. É também, compreendemos que somos os únicos responsáveis por nossa forma de viver e convier com o outro, e que isso ao invés de ser ruim, é na verdade muito bom, porque nos coloca como protagonistas e únicos agentes das resoluções dos nossos problemas. Enfim, dar voz aos nossos sintomas é nos possibilitar a reconstrução do nosso “quebra-cabeça” com as peças que de fato necessitamos para sermos sujeitos livres e responsáveis.
Psicóloga Margarita Ramos